O ex-ministro cubano Alejandro Gil Fernández enfrenta dois julgamentos separados: um por espionagem, pelo qual pedem prisão perpétua, e outro juntamente com outros investigados

No segundo processo judicial, a Promotoria pede 30 anos de privação de liberdade, e a audiência poderá ser pública. É dado como certo que a primeira causa, pela qual o Ministério Público pede prisão perpétua, ocorrerá a portas fechadas no Tribunal Supremo Popular de Cuba

Alejandro Gil Fernández, em uma imagem de arquivoFoto © Noticiero Nacional de Televisão

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O ex-ministro da Economia e Planejamento de Cuba Alejandro Gil Fernández, destituído em 2 de fevereiro de 2024 e investigado pelo regime desde 7 de março de 2024, enfrenta dois processos judiciais separados. Um deles, o mais grave, é por espionagem e a Promotoria pede prisão perpétua. Segundo fontes às quais CiberCuba teve acesso, este julgamento está previsto para ocorrer a portas fechadas no Tribunal Supremo Popular de Cuba.

O segundo processo judicial é por outros delitos que pesam sobre Gil Fernández e sobre um grupo indefinido de investigados, que os meios oficialistas não se dignaram a identificar. Este poderia ser público, asseguram as mesmas fontes.

Contra Gil Fernández, além de espionagem, pesam acusações de malversação, suborno, evasão fiscal, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos, atividades em prejuízo da atividade econômica, subtração de documentos, tráfico de influências e infração de normas de proteção de documentos classificados.

Irão a julgamento com Gil Fernández, segundo publicou há alguns dias 14yMedio, uma vingentena de imputados aos quais se pede um mínimo de 15 anos de prisão, frente aos 30 anos de privação de liberdade que o Ministério Público solicita para Gil Fernández, assim como asseguraram a CiberCuba fontes próximas ao caso.

Entre os investigados não identificados pelo regime haveria, segundo 14yMedio, um deputado da Assembleia Nacional e um primeiro secretário provincial do PCC, mas essa informação não pôde ser confirmada pela CiberCuba. Esta plataforma questionou expressamente a irmã do exministro condenado, a veterana apresentadora de televisão Maria Victoria Gil Fernández de Ayala, mas ela afirmou desconhecer quem está dentro do "resto dos imputados" na causa.

Se dá a circunstância de que entre fevereiro e abril de 2024 foram destituídos em Cuba os primeiros secretários do PCC Marydé Fernández López (21 de fevereiro em Cienfuegos); Susely Morfa (em março, em Matanzas, mas em 2025 foi nomeada no mesmo cargo em Villa Clara); Luis Antonio Torres Iríbar (em abril, em Havana); Manuel René Pérez Gallego (em abril em Las Tunas), Julio Heriberto Casanova (em março, em Ciego de Ávila) e Ernesto Santiesteban (em abril, em Holguín).

Neste ano de 2025, foram destituídos três primeiros secretários do Partido Comunista de Cuba, mas as notas oficiais asseguram, em todos os casos, que os destituídos assumiriam novas responsabilidades dentro do organograma do PCC.

Saíram da cúpula do partido a nível provincial, no dia 25 de março Walter Simón, de Las Tunas; no dia 16 de maio, Yuniasky Crespo, de Mayabeque; e no dia 11 de junho, Osnay Colina, de Villa Clara.

A irmã do ex-ministro disse na entrevista concedida nesta quarta-feira ao CiberCuba que espera que seu irmão seja julgado antes do final deste ano.

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Tania Costa

(Havana, 1973) vive na Espanha. Ela dirigiu o jornal espanhol El Faro de Melilla e FaroTV Melilla. Foi chefe da edição de Murcia do 20 minutos e assessora de Comunicação da Vice-Presidência do Governo de Múrcia (Espanha).