Las Tunas continua sem água nas casas, apesar de os reservatórios estarem cheios

O deterioro dos equipamentos de bombeamento é a principal causa da falta de abastecimento, embora os reservatórios estejam praticamente cheios.

Embalses de Las TunasFoto © ACN

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Apesar da situação favorável dos reservatórios que abastecem água à cidade de Las Tunas, graças às chuvas deixadas pelo furacão Melissa, o serviço de abastecimento continua sendo demorado e ineficiente, conforme reconheceu a própria empresa estatal de Águas e Esgotos.

O engenheiro David Legrá, diretor da Unidade Empresarial de Base (UEB) de Aqueduto e Esgotamento na província, explicou ao meio oficial Periodico 26 que o deterioramento dos equipamentos de bombeamento é a principal causa da falta de abastecimento, apesar de os reservatórios estarem praticamente cheios.

O caso mais crítico é o da represa El Rincón, no município de Majibacoa, que atualmente acumula 96 % de sua capacidade total e é a principal fonte de abastecimento para a cidade de Las Tunas. Até foi ordenada uma evacuação em massa em várias áreas da província devido ao risco de transbordamento dos reservatórios e represas. 

Sin embargo, duas bombas da potabilizadora e uma da represa estão fora de serviço, o que impede o bombeamento do líquido para a cidade.

Segundo Legrá, os equipamentos danificados pertencem ao lote de bombas que chegou ao país no ano passado e ainda estão sob garantia.

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Medidas estão sendo tomadas para realizar as mudanças necessárias, mas no momento não pode ser bombeado mais, assegurou o executivo, sem especificar prazos ou alternativas concretas.

O funcionário admitiu que a instabilidade do serviço elétrico tem sido um fator determinante nas quebras. A sobrecarga das linhas e os apagões prolongados danificam os sistemas de bombeamento, o que levou a um deterioração progressiva da infraestrutura hídrica provincial.

Na bacia La Cana, onde há apenas uma equipe operacional disponível, a situação é ainda mais crítica. A falta de peças de reposição e a carência de pessoal especializado tornam impossível garantir um serviço estável.

Como consequência, a distribuição de água na cidade de Las Tunas se mantém com um ciclo de entrega a cada 10 dias, sem que a empresa disponha de meios ou recursos para encurtar esse intervalo. “Não há uma maneira concreta de fazê-lo menor”, reconheceu Legrá, referindo-se às limitações técnicas e energéticas do território.

A situação contrasta com as expectativas dos tuneros, que acreditavam que as abundantes chuvas do furacão Melissa trariam um alívio ao prolongado problema de abastecimento.

No entanto, o alívio foi apenas momentâneo: os reservatórios estão cheios, mas as casas continuam secas.

O caso de Las Tunas reflete a profunda crise de gestão e manutenção dos serviços públicos em Cuba. Embora o regime insista em culpar o “bloqueio” e a crise energética, as causas subjacentes são anos de desinvestimento, má planejamento e corrupção no sistema hídrico nacional.

Es una burla. Hay agua en los embalses, pero no en las casas. Lo que falta no es agua, es gestión y vergüenza”, comentó un residente del reparto La Victoria, en medio del creciente malestar entre la población, que se ve obligada a recolectar agua de lluvia para sobrevivir.

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