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A filha de Alejandro Gil Fernández exigiu ao Ministério Público que amplie as informações sobre as acusações de espionagem contra o ex-ministro da Economia e Planejamento.
Laura María Gil González reclamou no Facebook “transparência total” no processo, incluindo a realização de um julgamento a portas abertas, transmitido ao vivo pela televisão nacional, Cubavisión Internacional e com acesso a meios de comunicação estrangeiros.
Em uma extensa mensagem, a jovem afirma que o comunicado oficial deixou “detalhes soltos” que “fomentam a especulação popular”.
En sua comunicação, enumera os pontos que, a seu ver, a Procuradoria deve esclarecer se a "pedra angular" do caso é a espionagem: o que exatamente fez o acusado, a que país ou países teria servido, desde quando, por quais meios de comunicação, o que recebeu em troca, onde e em quais cenários ocorreram os supostos encontros, sob ordens de quem, que informação revelou.
Também pediu esclarecimentos sobre o suposto caso de espionagem, quais medidas teriam sido propostas “por ordem expressa de outro Estado”, que provas respaldam esses fatos e qual seria seu pseudônimo.
Asimismo, pede que os governos supostamente implicados emitam um pronunciamento oficial, porque —diz— trata-se de uma acusação “muito séria” que transcende a esfera doméstica e “o leva a um caso internacional”.
Alega que seu pai "se mantém firme em sua defesa" e que "não reconhecerá sob nenhuma circunstância nenhum crime que não lhe seja devidamente comprovado".
A filha de Gil invoca os artigos 54 e 48 da Constituição (liberdade de expressão e direito à defesa da honra) para fundamentar seu pedido de publicidade processual e sustenta que “o povo cubano merece saber” os elementos probatórios.
Asegura que não havia falado antes pelo “compromisso” de sua família de proteger a imagem do país e evitar um descontentamento popular ou um conflito internacional, e porque buscou respeitar o devido processo e colaborar com a instrução; mas insiste agora que, se o Estado “tem colocado em prática” uma Lei de Transparência e Acesso à Informação Pública, corresponde levar essa transparência “à sua máxima expressão” neste caso.
Sobre a abertura do julgamento, sugere que “participe todo aquele que desejar”, com meios oficiais e não oficiais e cadeias estrangeiras, e afirma que essa exigência “não é apenas minha”: garante que Alejandro Gil também a tem reivindicado “desde o primeiro dia”.
Reitera que acompanhará de perto os desdobramentos do processo e seu impacto político e social, dentro e fora de Cuba.
A autora da mensagem enfatiza que sua publicação não é ofensiva nem destrutiva, não incita à violência, não revela segredos de Estado nem menospreza instituições como o Ministério do Interior, a Controladoria, o Ministério Público ou a Presidência.
Informa, além disso, que qualquer represália contra ela ou sua família seria “totalmente ilegal” e violaria seus direitos humanos de liberdade de expressão e autodefesa reconhecidos na Constituição.
Em paralelo, ratifica sua condição de “testemunha fiel” do processo e a firmeza de seu pai em manter sua defesa sem admitir crimes não comprovados.
O pronunciamento de Laura María Gil ocorre após a Procuradoria Geral da República informar, nesta sexta-feira, que exerceu ação penal pública contra Alejandro Miguel Gil Fernández — que atuou como vice-primeiro-ministro e ministro da Economia e Planejamento — e outros acusados, após a conclusão da investigação penal realizada pelos órgãos do Ministério do Interior.
As ações contra o ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro da Economia e Planejamento foram apresentadas ao tribunal competente e foram solicitadas sanções privativas de liberdade “em correspondência com os fatos cometidos”.
O Ministério Público precisou que o pedido de responsabilidade penal abrange um amplo catálogo de delitos: espionagem, atos em prejuízo da atividade econômica ou da contratação, malversação, suborno, falsificação de documentos públicos, evasão fiscal, tráfico de influências, lavagem de ativos, infringência das normas de proteção de documentos classificados, e subtração e dano de documentos ou outros objetos em custódia oficial.
A comunicação oficial sucinta não ofereceu detalhes adicionais sobre o desenvolvimento do processo na sede judicial, além da apresentação das ações e da solicitação de penas de prisão para todos os acusados.
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