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A ex-apresentadora de televisão María Victoria Gil, irmã do destituído Alejandro Gil, afirmou que a “pedido da acusação” contra seu irmão é de “pena de prisão perpétua”, conforme garantiu uma “fonte próxima à investigação”.
“Se Alejandro Gil foi capaz de trair seus princípios, não hesitarei em desejar que recaia sobre ele todo o peso da lei”, disse a irmã do exministro da Economia, em declarações ao meio independente 14yMedio.
María Victoria, que reside nas Ilhas Canárias e tem se mantido opinando sobre a destituição e encarceramento de seu irmão disse sentir-se “magno e envergonhada”
“Penso em meus pais que, onde quer que estejam, estarão cobertos de vergonha. A formação que nos deram a ambos, irmãos, foi baseada na honestidade e na justiça”, comentou.
A mulher considera "excepcional a soma de delitos imputados", entre eles o de espionagem, "que é punido com a pena de morte".
14yMedio perguntou a María Victoria sobre o restante dos acusados, mas Vicky Gil afirma não saber nada além da “transmissão de ontem à noite no Estelar da Televisão Cubana”.
Da mesma forma, disse não ter notícias sobre a situação de sua cunhada, Gina María González, e de seus sobrinhos: “Desconheço a situação porque os tenho bloqueados”.
Este sábado, dirigentes do Partido Comunista de Cuba e entidades governamentais ativaram nas redes sociais a hashtag #CeroImpunidad para consolidar uma mensagem de “tolerância zero” à corrupção, após a imputação da Procuradoria Geral contra Alejandro Gil Fernández, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro de Economia e Planejamento.
Entre os pronunciamentos mais visíveis, Susely Morfa González, primeira secretária do PCC em Villa Clara, apoiou a atuação da Promotoria “fiel aos princípios da Revolução” e destacou a consigna #CeroImpunidad.
Em termos quase idênticos se expressaram Deivy Pérez Martín (Primeira Secretária do PCC de Sancti Spíritus), Marisol Fuentes Ferrer (membro do Bureau Provincial do PCC em Mayabeque), Isael Rodríguez (membro do Bureau Provincial do PCC em Villa Clara) e Ariday Anaya (Departamento Ideológico do PCC em Mayabeque).
Os funcionarios do regime destacaram que a direção do Partido e do Governo “nunca permitiu, nem jamais permitirá, a proliferação da corrupção, a simulação e a insensibilidade”.
Por sua vez, a entidade da qual Gil replicou o tom das mensagens e acrescentou: "O confronto, a transparência e a tolerância zero a esse tipo de manifestações que afetam nosso povo serão sempre resolvidos de forma contundente".
Também o Ministério das Finanças e Preços repercutiu a posição oficial e insistiu no “enfrentamento” a manifestações que afetam o povo.
O pano de fundo dessas mensagens é a nota informativa da Procuradoria, datada de 31 de outubro de 2025, que assegura ter controlado a investigação “conforme ao Artigo 156 da Constituição” e ter garantido o devido processo durante as diligências realizadas pelos órgãos do Ministério do Interior.
Concluída a investigação, o caso passou para a esfera judicial, sem que sejam divulgados calendários ou detalhes do andamento posterior.
A acusação abrange um amplo catálogo de delitos: espionagem; atos em prejuízo da atividade econômica ou da contratação; malversação; suborno; falsificação de documentos públicos; evasão fiscal; tráfico de influências; lavagem de ativos; violação de normas de proteção de documentos classificados; e subtração e dano de documentos ou objetos sob custódia oficial.
A Procuradoria enfatizou que atua “em representação do Estado”, em conformidade com seu mandato constitucional, e pediu penas de prisão “em correspondência com os fatos cometidos”.
O protagonismo digital da campanha #CeroImpunidad ocorre enquanto o país lida com as consequências do furacão Melissa, um contexto que confere carga política à moldura oficial do caso e à insistência em mostrar disciplina institucional diante de atos de corrupção.
A coordenação de mensagens desde quadros provinciais e órgãos centrais busca transmitir unidade de critério e contundência antes que o processo chegue à etapa de julgamento.
O caso Gil remonta-se a março de 2024, quando foi reportada a abertura de um expediente na Fiscalia por "graves erros" após sua destituição um mês antes.
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