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A Unión Eléctrica de Cuba (UNE) avisou esta quinta-feira que o país enfrentará novos e prolongados apagões devido à falta de capacidade de geração, enquanto o leste do país continua desconectado do sistema nacional após a passagem do furacão Melissa.
Según o , a disponibilidade atual do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN) é de 1.050 megawatts (MW) em relação a uma demanda de 1.910 MW, o que provoca uma afetação de 850 MW. Para o pico noturno, a UNE prevê uma disponibilidade de 1.348 MW e uma demanda máxima de 2.450 MW, com um débito de 1.102 MW e apagões estimados em 1.172 MW.
A nota oficial detalha que ontem o serviço elétrico foi afetado durante as 24 horas, com uma máxima afetada de 1.298 MW às 19h40, enquanto 653 MW continuam fora de serviço nas províncias orientais, de Las Tunas a Guantánamo, como consequência do impacto do furacão.
Entre os principais incidentes, a empresa relata falhas na Unidade 3 da CTE Santa Cruz, na Unidade 3 da CTE Carlos Manuel de Céspedes e na Unidade 2 da CTE Felton —esta última em Holguín—, além de manutenções programadas nas usinas de Cienfuegos, Nuevitas e Santa Cruz del Norte. A isso se somam limitações térmicas devido a 501 MW fora de operação e problemas de combustível que mantêm paradas 46 centrais de geração distribuída e 177 MW por falta de lubrificantes, elevando para 627 MW os megawatts fora do sistema por essa causa.
Em Havana, a Empresa Elétrica informou que o serviço foi interrompido por 24 horas consecutivas e que, até o fechamento do seu relatório, o fornecimento ainda não havia sido completamente restabelecido, com 124 MW fora de operação nos blocos 3, 4 e 6. Publicou ainda um novo cronograma de cortes de energia que abrange desde as 10:00 da manhã de quinta-feira, 30, até as 10:00 da manhã de sexta-feira, 31 de outubro.
Enquanto isso, em Santiago de Cuba, a empresa elétrica provincial comunicou que não pôde iniciar as operações de reparo devido ao fato de a área permanecer em fase de alerta ciclônico. Os técnicos aguardam a autorização da Defesa Civil para começarem os trabalhos, embora tenham alertado que as centrais termelétricas do leste (Camagüey–Guantánamo) continuam fora de operação, por isso a recuperação será gradual e serão priorizados hospitais, bombeamento de água e centros de evacuação.
Na província vizinha de Granma, a empresa elétrica também pediu à população “paciência” diante da prolongação da falta de energia após a passagem do furacão Melissa. A entidade explicou que a restauração do serviço será um processo gradual, priorizando hospitais, bombeamento de água e centros de evacuação, antes de restabelecer os circuitos residenciais.
O ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, viajou a Santiago de Cuba e assegurou que “vamos superar isso” após a passagem do furacão Melissa, enquanto brigadas especializadas tentavam avaliar os danos nas linhas de transmissão e nas centrais elétricas do leste.
Antes da chegada do furacão Melissa, a União Elétrica decidiu desconectar as termoelétricas Antonio Maceo (Renté), Lidio Ramón Pérez (Felton) e a Central Fuel de Moa como medida preventiva, o que deixou sem serviço elétrico boa parte do leste do país. Desde então, essas plantas não foram reativadas e a região continua praticamente às escuras após a passagem do furacão.
Com uma demanda que supera amplamente a capacidade de geração e um sistema elétrico parcialmente colapsado, Cuba enfrenta um dos cenários energéticos mais críticos do ano, com milhares de lares sem eletricidade e serviços básicos comprometidos.
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