Tribunal da Flórida declara inconstitucional lei que permitia a menores abortar sem consentimento parental

Um tribunal da Flórida anulou uma lei que permitia a menores abortar sem o consentimento dos pais, alegando que viola direitos parentais.


Um tribunal de apelações da Flórida declarou inconstitucional uma lei estadual que permitia às menores de idade ter acesso a um aborto sem a necessidade do consentimento de seus pais ou tutores legais.

O veredicto, emitido na quarta-feira por um painel de três juízes do Quinto Distrito de Apelações, representa uma nova reviravolta no debate sobre os direitos reprodutivos no estado.

A norma, conhecida como “judicial waiver”, permitia que as menores solicitassem autorização judicial para interromper uma gravidez sem envolver os pais.

No entanto, o tribunal determinou que esta legislação viola os direitos parentais protegidos pela Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a qual garante o devido processo legal, informou o canal de notícias Univisión.

A opinião majoritária foi redigida pelo juiz Jordan Pratt, com o apoio dos juízes John MacIver e Brian Lambert. No texto, os magistrados citam precedentes recentes tanto da Suprema Corte dos Estados Unidos quanto da Suprema Corte da Flórida, que rejeitaram a existência de um direito constitucional ao aborto.

“O suposto direito constitucional ao aborto que poderia ter justificado a vigência desta lei foi inequivocamente repudiado por ambas as cortes supremas”, aponta a decisão.

Em 2022, a Suprema Corte federal revogou a decisão Roe v. Wade, eliminando a proteção constitucional ao aborto em nível nacional.

Dois anos depois, o tribunal supremo da Flórida determinou que a Constituição estadual também não garante esse direito sob sua cláusula de privacidade.

O caso que originou esta apelação envolve uma jovem de 17 anos, identificada como Jane Doe, que solicitou autorização judicial para interromper sua gravidez sem notificar seu pai.

A menor, que se encontrava com cerca de seis semanas de gestação, foi rejeitada por um tribunal inferior, que concluiu que não possuía a maturidade suficiente para tomar uma decisão de tal magnitude sem supervisão parental.

O tribunal considerou aspectos como seu desenvolvimento emocional, estabilidade, credibilidade e capacidade de compreender as consequências imediatas e futuras do aborto.

A corte qualificou o tema como “uma questão de grande importância pública” e antecipou que poderia ser revisado pela Corte Suprema da Flórida, que terá a palavra final sobre o futuro legal do acesso ao aborto para menores sem consentimento dos pais.

Atualmente, a Flórida proíbe a maioria dos abortos após seis semanas de gravidez, um período que, segundo especialistas, muitas mulheres não conseguem identificar como suficiente para saber que estão grávidas.

Nesse contexto, legisladores republicanos e ativistas antiaborto têm promovido novas restrições para limitar ainda mais o acesso das menores a serviços de aborto.

Por sua parte, organizações que defendem o direito de decidir expressaram profunda preocupação com o impacto dessa decisão sobre a autonomia de adolescentes em situações vulneráveis.

“Eliminar esta via legal deixará muitas jovens sem recursos em momentos críticos”, advertiu uma porta-voz do Centro de Direitos Reprodutivos.

Perguntas Frequentes sobre a Decisão da Lei de Aborto para Menores na Flórida

Por que a lei de aborto para menores na Flórida foi declarada inconstitucional?

A lei foi declarada inconstitucional porque viola os direitos parentais protegidos pela Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, de acordo com a decisão do tribunal de apelações da Flórida.

O que é a "isenção judicial" mencionada na lei do aborto da Flórida?

O “waver judicial” era uma disposição que permitia que menores de idade solicitassem uma autorização judicial para abortar sem a necessidade do consentimento dos pais. No entanto, essa normativa foi considerada inconstitucional por interferir nos direitos dos pais.

Como isso afeta as menores que buscam abortar na Flórida?

As menores deverão obter o consentimento de seus pais para acessar um aborto, o que pode limitar significativamente sua capacidade de tomar decisões autônomas sobre sua saúde reprodutiva.

Quais são as implicações dessa decisão para os direitos reprodutivos na Flórida?

O veredicto representa uma mudança no debate sobre os direitos reprodutivos, pois reforça as restrições ao aborto no estado, deixando as menores com menos opções para acessar serviços de aborto sem o consentimento de seus pais.

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