Enquanto em Cuba se multiplicam os apagões, a falta de água e a precariedade atingem cada vez mais as famílias, altos dirigentes do regime desfrutam de áreas de conforto sem preocupações.
Assim denunciou nas redes sociais o jornalista independente Yosmany Mayeta Labrada, que compartilhou imagens onde se vê Beatriz Johnson, primeira secretária do Partido Comunista em Santiago de Cuba, e o presidente da Assembleia Nacional, Esteban Lazo, desfrutando de uma jornada de lazer, aparentemente em uma casa de descanso vinculada ao PCC ou em uma instalação turística fechada ao público.

Em uma das imagens, vê-se Johnson nadando em uma piscina ao lado de pessoas que parecem ser seus familiares, enquanto em outra eles compartilham cervejas, em um ambiente que está longe da realidade vivida pelo povo.
Em outra foto, podem-se ver ambos dirigentes rodeados por um grande grupo de pessoas, em que parece ser uma atividade privada em um ambiente com claras comodidades, em contraste com o estado deplorável das instalações supostamente disponíveis para o povo.
“Enquanto o povo é quem deve se sacrificar, a Johnson, seus familiares e Esteban Lazo, aproveitam nos bons hotéis”, escreveu Labrada, acompanhando sua denúncia com sarcasmo: “Vocês acham que eu não tenho câmeras? Eu tenho tudo!”, finalizou.
A publicação ocorre em meio a um cenário nacional crítico, onde os apagões superam 10 horas diárias em muitas províncias, há colapso hospitalar, escassez de alimentos básicos e uma crescente desesperança entre os cidadãos.
As imagens não demoraram a se viralizar, gerando indignação nas redes sociais, onde usuários lembraram a dupla moral do discurso oficial, que chama constantemente o povo a resistir, "sacrificar-se" e "fechar filas com a Revolução".
A instalação onde são vistos ainda não foi oficialmente identificada, mas, de acordo com comentários nas redes, pode ser uma casa de retiro do Partido ou uma instalação turística reservada para funcionários.
Para muitos cubanos, as imagens são a confirmação do que sempre se soube: enquanto os dirigentes distribuem slogans, desfrutam de privilégios inacessíveis para o povo que os sustenta.
Vários episódios recentes protagonizados por figuras do poder em Cuba evidenciaram o abismo entre o discurso oficial e a vida dos dirigentes.
Uno deles envolve Lis Cuesta, esposa de Miguel Díaz-Canel, cuja condição médica, a fotofobia, serviu de justificativa para o uso de óculos de sol especiais de alto custo, algo completamente fora do alcance da maioria dos cubanos, que enfrentam uma escassez severa de produtos médicos básicos.
Em outro caso que gerou críticas, soube-se que um alto dirigente comunista foi beneficiado com uma bolsa para estudar no Brasil, o que foi percebido como uma demonstração de privilégio seletivo.
Enquanto o povo suporta as consequências do colapso educacional e migratório, os quadros e dirigentes têm acesso a oportunidades internacionais negadas à maioria.
A indignação cresceu ainda mais com o surgimento de imagens de Miguel Díaz-Canel exibindo relógios de luxo e gravatas de seda, elementos que ele mesmo enquadrou como parte de uma suposta “resistência criativa”.
Em um contexto marcado por apagões prolongados, inflação e carências extremas, essas demonstrações de ostentação por parte do governante foram vistas como uma afronta direta ao povo cubano.
Perguntas frequentes sobre o escândalo das férias de dirigentes cubanos durante a crise energética
Quem são os dirigentes flagrados de férias enquanto Cuba sofre apagões?
Os dirigentes envolvidos são Beatriz Johnson, primeira secretária do Partido Comunista em Santiago de Cuba, e Esteban Lazo, presidente da Assembleia Nacional. Eles foram vistos desfrutando de um dia de lazer em uma instalação vinculada ao Partido Comunista de Cuba (PCC), enquanto o povo cubano enfrenta sérios problemas energéticos.
Como a população cubana reagiu às imagens de dirigentes de férias?
A população cubana reagiu com indignação às imagens dos dirigentes desfrutando de férias. Muitos cidadãos expressaram sua frustração e raiva, lembrando a dupla moral do discurso oficial que convoca o povo a se sacrificar, enquanto os líderes desfrutam de privilégios inacessíveis ao cidadão comum.
Qual justificativa foi dada para a situação energética crítica em Santiago de Cuba?
Beatriz Johnson explicou que a situação energética crítica em Santiago de Cuba deve-se à tensa situação do Sistema Electro-energético Nacional (SEN). Segundo ela, os hospitais têm prioridade e são garantidas entre três e quatro horas de eletricidade nos circuitos residenciais, pedindo ao povo empatia e solidariedade.
Qual tem sido a resposta do regime às críticas a Beatriz Johnson?
O regime defendeu Beatriz Johnson, afirmando que ela não está obrigada a ser perfeita e que tem o direito de ser criticada. No entanto, também foi apontada a hipocrisia nessa defesa, uma vez que os meios oficiais atacaram aqueles que criticam os funcionários do governo.
Como é percebida a gestão do governo cubano frente à crise energética?
A gestão do governo cubano frente à crise energética é percebida como ineficaz e desconectada da realidade da população. As constantes promessas não cumpridas e a falta de soluções geraram um crescente descontentamento e frustração entre os cidadãos, que sentem que suas necessidades não são atendidas adequadamente.
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