O advogado da Flórida especializado em Imigração, Willy Allen, teme que nos Estados Unidos "mais asilos serão perdidos do que ganhos em um futuro próximo, simplesmente pela pressão da Procuradoria Geral, que é quem influencia os juízes", disse ele na segunda-feira, em seu programa semanal na CiberCuba.
Ele respondeu desta maneira a uma pergunta sobre uma pessoa que perdeu seu asilo, está em processo de apelação e queria saber se poderia se beneficiar de uma futura lei que favoreça os I-220A.
"A resposta é sim. O importante, se você perdeu seu asilo, é ter apelado a tempo. As apelações podem demorar dois anos. No mês passado, recebi uma apelação de uma cliente russa que perdeu o caso de asilo há cinco anos e aí tenho outro caminho para legalizá-la", explicou o renomado advogado.
Nesse sentido, Allen ressaltou que os recursos "geralmente duram um, dois, três anos e enquanto essa apelação demora, a 220-A de residência, seu caso é reaberto e o juiz que negou seu asilo lhe concede a residência", insistiu.
"Eu gosto de lidar com os juízes que me negam algo, reabrir o caso diante deles e forçá-los a me conceder a residência. Essa é a minha parte favorita das disputas com juízes. Quando consigo reabrir o caso na frente deles, eles têm que me dar algo e aprovar o caso do meu cliente. Eu adoro isso", ironizou.
Al hilo desta pergunta, Willy Allen também respondeu a outra pessoa preocupada porque é I-220A e tem data de corte para o ano que vem, temendo ser deportada. Neste caso, o advogado insistiu que isso não vai acontecer e enviou novamente uma mensagem de tranquilidade aos cubanos que têm essa figura migratória e entraram em pânico quando, em março passado, pelo menos 18 mulheres I-220A foram detidas e transferidas para prisões fora da Flórida.
"Neste momento, as únicas pessoas que realmente me preocupam e que podem ser deportadas são aquelas que têm I-220B e já possuem uma ordem de deportação. Também me preocupam as pessoas com I-220A, que têm delitos criminais no passado e que levam décadas vivendo aqui sem que seu país de origem queira aceitá-las", acrescentou.
"220-A, com um futuro na Corte, enquanto você for à Corte, se apresentar, fazer tudo corretamente, não cometer nenhum crime, não terá nenhum problema. As jovens que foram detidas com I-220A, todas estão em liberdade", apontou em referência às 18 detidas e encarceradas em março passado. Entre elas, a cubana Beatriz Monteagudo Castillo, como pôde comprovar CiberCuba.
A mediados do mês passado, o advogado Willy Allen disse em uma entrevista com CiberCuba que, em sua opinião, os cubanos mais seguros e com menos problemas nos EUA são os I-220A. Trata-se, segundo ele, de um alívio temporário, pelo menos até 2026, que permitirá a muitos cubanos completar um ano e um dia nos Estados Unidos e se beneficiar da Lei de Ajuste Cubano.
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