EDITORIAL: Como se financia e em que emprega os seus fundos CiberCuba

Nem um único centavo que nos permite existir como meio foi entregue por qualquer programa ou agência, nem dos Estados Unidos, nem da Espanha (onde está nossa sede principal), nem de nenhuma outra nação. 


Este artigo é de há 4 anos

O ataque mais frequente que recebe CiberCuba é que somos um meio informativo pago por interesses obscuros. Segundo os boatos que espalham os adversários do jornalismo que fazemos, o dinheiro que possibilita nosso trabalho tem sua origem em algum porão secreto ou algum discreto programa de subversão que sempre, sem exceção, leva até o suspeito habitual: Estados Unidos.

Para esses inimigos da nossa página, que chegou em janeiro passado a 15 milhões de visitas (ou em inglês pageviews) apenas naquele mês, distorcer a essência e o funcionamento de CiberCuba é imprescindível para a sobrevivência de seu modelo totalitário. Consequentemente, o ataque é sempre o mesmo: nos acusar de responder a interesses originados nos Estados Unidos.

Os porta-vozes da propaganda originada em Havana repetem sistematicamente os mesmos refrões difamatórios: um dia somos financiados pela Fundação Nacional Cubano-Americana, no outro dia somos um projeto especial da USAID, e depois trabalhamos para algum lobby "anticubano" do sul da Flórida.

CiberCuba nasceu há cinco anos, e foi inteiramente autofinanciada por Luis Flores e Luis Manuel Mazorra, seus dois fundadores. Os amigos que se juntaram ao nosso site desde o início, quando éramos apenas um agregador de notícias e vídeos produzidos por outros meios, o faziam sem cobrar um centavo.

Esses fundadores e colaboradores trabalhavam nesta página em meio período, enquanto sustentavam o seu dia a dia com outros empregos. Somente o passar do tempo e um número indefinido de noites sem dormir, dedicadas a fazer o projeto crescer, permitiram que o tráfego crescente gerasse lucros suficientes para se dedicarem a CiberCuba em tempo integral.

Quem financia a CiberCuba?

Atualmente, nossas receitas são originadas única e exclusivamente de anúncios na Internet ou de publicidade contratada por anunciantes independentes, sem vínculos com organizações políticas, grupos de influência ou, muito menos, qualquer governo.

Em 2019, CiberCuba gerou uma receita de 859 mil 297 euros, com 51 centavos. A origem desse montante se distribui da seguinte maneira: 330 mil 981,36 euros provenientes de agências de publicidade; 232 mil 492,21 euros de AdSense (plataforma de publicidade do Google); 188 mil 251,79 euros de publicidade no Facebook (onde contamos com quase um milhão de seguidores); e 107 mil 572,16 euros de anunciantes diretos. É importante também esclarecer que nenhum anunciante direto representa mais de 10% da receita total de CiberCuba.

Ingresos CiberCuba 2019
As fontes de receita da CiberCuba em 2019

Dessa soma recebida, exatamente 65,2% é destinado a despesas com pessoal, onde os salários de 34 funcionários e colaboradores representam a maior parte. 20,4% vai para serviços profissionais e contratação de tecnologia que possibilita nossa produção informativa. Os restantes 14,3% abrangem despesas de escritório e Internet, servidores, plataformas e agências de notícias.

Principais gastos do CiberCuba em 2019

Nenhum centavo que nos permite existir como meio foi entregue por qualquer programa ou agência, seja dos Estados Unidos, da Espanha (onde está nossa sede principal) ou de qualquer outra nação. Também, nem um único centavo do que gastamos é destinado a contribuir com qualquer agenda política ou grupo de poder. CiberCuba produz notícias, e seu dinheiro nos sustenta. Qualquer outra acusação ou denúncia é simplesmente mentira.

CiberCuba esteve alheio até hoje a qualquer orçamento que responda a interesses políticos ou partidários. E assim continuará sendo. Celebramos a existência de fundos que permitem o desenvolvimento de programas independentes para os cubanos que buscam a liberdade, mas acreditamos na necessidade de um jornalismo sem compromissos ou agendas ocultas.

Nossa única meta é a verdade, retratar da forma mais precisa possível a realidade do país em que nasceram ou vivem a maioria dos nossos leitores. E essa meta é o que nos torna alvo de ataques de quem só precisa escondê-la: o governo de Cuba.

É esse governo, por meio de seus porta-vozes oficiais e agentes de influência espalhados pelo mundo, quem propaga a falsidade de que CiberCuba serve aos interesses da USAID e que recebemos dinheiro por isso.

E esse empenho é, afinal, compreensível. Nestes poucos anos, nos tornamos na página de temas cubanos mais lida em todo o mundo, e somos o meio por excelência que os próprios cubanos residentes na ilha utilizam para se informar sobre sua realidade. Isso, apesar da censura e de estarmos bloqueados permanentemente em todo o país.

No dia em que a ditadura cubana exibir uma mínima fração da transparência que mantemos com nossas contas, saberemos a magnitude do desastre a que condenaram todo um povo durante 61 anos de continuidade vergonhosa.

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