
O governo de Santiago de Cuba decidiu limitar os preços do transporte e de alguns produtos básicos como uma medida emergencial e desesperada para conter a inflação desenfreada na província oriental.
Manuel Falcón Hernández, governador da cidade, publicou no Facebook na última sexta-feira que durante um Conselho Provincial Extraordinário e Ampliado de Governo do Poder Popular “foi decidido estabelecer preços máximos para produtos essenciais e serviços de transporte”.
O funcionário destacou que a decisão foi tomada com base em "fichas de custo e avaliações com agentes econômicos", insinuando que a medida impactará os trabalhadores autônomos, micro, pequenas e médias empresas (mipyme) e cooperativas, que se veem obrigados a adquirir seus produtos em dólares e a recorrer à obtenção de divisas de forma não regulada, em um contexto onde não há um mercado de câmbio oficial.
Além disso, o governador da cidade de Santiago de Cuba ameaçou com um maior controle sobre aqueles agentes econômicos que impõem “preços abusivos de produtos agropecuários e de consumo diário”, e dessa forma, segundo ele, “impulsionar a economia”.
Contraditoriamente, Falcón admitiu ao mesmo tempo a existência de um alto grau de corrupção, um tema que se destacou como um dos mais importantes discutidos durante a reunião de líderes e comunistas da província.
Por fim, o funcionário antecipou que a “participação da população será fundamental para a efetividade dessas medidas”, sugerindo que cabe às pessoas ou às organizações de massa denunciar os casos de inflação e corrupção.
Segundo ele, essa estratégia representará o caminho para a "prevenção e a ação contundente diante de irregularidades para garantir o bem-estar econômico e social na província", sem mencionar ou aprofundar nas verdadeiras causas da crise econômica no país nem da inflação galopante.
Durante o Conselho Provincial Extraordinário e Ampliado de Governo do Poder Popular, o governador da cidade anunciou medidas para conter a crescente desconexão dos jovens em relação ao trabalho e aos estudos nessa província, e ameaçou ir de casa em casa para realizar um levantamento estatístico, conforme citado pelo jornal Sierra Maestra.
No caso dos desempregados, será avaliada a disponibilidade de emprego tanto na sua área de residência quanto no município.
Além disso, será realizado um análise individualizada daqueles que estão em idade escolar e abandonaram seus estudos, com o objetivo de orientar sua reintegração ao sistema educacional.
Em março passado, o governante cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que, com seu pacote de medidas econômicas para “corrigir distorções e impulsionar a economia”, os preços continuarão elevados, mas que não permitirão “aumentos abusivos ou especulativos”.
Em uma reunião do Ministério das Finanças e Preços (MFP), o também primeiro secretário do comitê central do Partido Comunista de Cuba (PCC) alertou sobre a necessidade de realizar verificações de preços mais eficazes, visando enfrentar o abuso e a especulação.
O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz convocou, em abril passado, a adoção de medidas exemplares para reduzir os preços em Cuba.
"O que cada conselho está fazendo na batalha contra os preços, está nos faltando mão firme em muitos lugares, tomar medidas exemplares em defesa do nosso povo", afirmou durante uma reunião com funcionários da Ilha da Juventude.
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